quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Um brasileiro eternamente carioca

Um brasileiro eternamente carioca

Há 42 anos, o Brasil perdia seu anjo pornográfico. Nelson Falcão Rodrigues, Nelson Rodrigues, o Shakespeare brasileiro. Nelson está a altura de Machado, Proust, Camus, Guimarães. Melhor dizendo: é o Machado dos tempos modernos. Nelson trabalhou como colunista em jornais brasileiros importantes da época, mas foi no jornal O Globo de Roberto Marinho e como cronista esportivo que se destacou e mereceu honras. Foi nas colunas do jornal O Globo que nasceu a série de crônicas A vida como ela É. Recomendo a leitura de seu livro A pátria das chuteiras. Nelson modernizou o teatro brasileiro com a peça Vestido de Noiva, montada pelo diretor polonês Ziembisky e desde então ocupa o título de maior dramaturgo da nossa história. Fora os seus clássicos, Vestido de Noiva, bonitinha, mas ordinária, toda nudez será castigada, Doroteia, Sete gatinhos, o Nelson Rodrigues cronista e romancista ainda não mereceu por parte da crítica o devido reconhecimento enquanto romancista e cronista de mão cheia. Também recomendo a leitura do seu romance O Casamento. Irônico, irreverente, sarcástico e além do seu tempo, Nelson ficará erigido na literatura brasileira como uma muralha intransponível, imortal, atemporal, e claro não poderia faltar, imoral, católico e um grande brasileiro eternamente carioca. Viva Nelson Rodrigues!

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Revista People celebra os 25 de Titanic com uma edição especial.

A revista editou duas lindas capas colecionáveis do clássico de James Cameron
Confira a postagem original e garanta já a sua para guardar de lembrança: https://people.com/movies/titanic-at-25-people-celebrates-the/

Morre em Lisboa a escritora Nélida Pinon, primeira mulher a ocupar o cargo de Presidente da ABL

 Nélida Pinon (1937-2022) faleceu hoje em Lisboa. Não haveria lugar mais místico, mítico, histórico, literário e digno de honrar a morte da maior escritora viva da Língua Portuguesa. Lisboa, ancestral e magnífica, terra de Fernando Pessoa que sendo um bom cavalheiro, há de recebê-la no céu com a generosidade, fervor e sensibilidade que só os poetas possuem, posto que Nélida faleceu na terra do grande poeta multifacetado. Nélida presidiu a Academia Brasileira de Letras (ABL) durante os anos de 1996 e 1997. Em 1996 a ABL fazia seu Centenário I e a escritora prodígia estava à sua frente que simbólico aquele ano e também o centenário da própria instituição! O que diriam os Imortais que cem anos antes haviam fundado a Academia, de uma mulher que presidiria a mesma cem anos mais tarde? Certamente os mesmos a uma hora dessas devem estar junto dela a comemorar a sua genialidade e admirável carreira literária. Era descendente de galegos, nasceu no Rio e publicou mais de 23 livros que foram editados em mais de 60 países. Foi a primeira mulher a receber o Honoris Causa, da Universidade de Santiago de Compostela (1998), também venceu com o Romance A República dos Sonhos o Troféu da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) (1985) e o prêmio Jabuti com o Romance Vozes do Deserto (2005). Depois da morte de Lygia Fagundes Teles aos 98 anos, encerra-se o ciclo de 2022 com duas perdas insubstituíveis no panorama literário feminino do nosso país. Lacunas insuperáveis, legados eternos.
(Publicado no Instagram)

25 anos de Titanic

Há 25 anos estreava um Épico Romântico que marcaria gerações

Titanic já faz parte do imaginário popular desde seu lançamento no dia 16 de Janeiro de 1998. E de lá pra cá o resto é história. Tendo lucrado uma bilheteria de cerca de 2, 2 bilhões, o longa será lançado nos cinemas novamente, dessa vez numa versão remasterizada em 3D e 4K. O novo lançamento faz honras a comemoração dos 25 anos da obra-prima do genial James Cameron. Essa versão está prevista para ser lançado em Fevereiro de 2023. Além da versão 3D 4K o diretor também lançará um documentário para sancionar a questão da cena em que Jack morre não podendo abrigar-se na prancha junto a Rose. Segundo ele, "fizemos um estudo científico para acabar com isto de uma vez por todas". 
"Usamos dois duplos que tinham a mesma massa corporal de Kate e Leo e colocamos sensores por toda a parte. Colocamos eles em água gelada e testamos se estes poderiam ter sobrevivido através de vários métodos e a resposta foi que não havia forma de ambos sobreviverem. Apenas um poderia sobreviver", ressaltou.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Viva a América Latina!

Argentina vence Copa do Mundo - 2022

 Argentina venceu! Viva a Argentina! Viva a América Latina! Nós vencemos. E que final histórica! Que dizer de Messi, então? Simplesmente o melhor do mundo. A Argentina venceu a Copa do mundo de 2022 depois de 36 anos sem ganhar uma Copa. Nunca a frase: "a esperança é a última que morre" foi tão emblemática e representativa nesse momento. É mais uma prova de que não devemos desistir da esperança de um dia sermos novamente campeões mundiais. Que tenhamos confiança em nossa seleção. Já fomos e ainda podemos ser sim os melhores do mundo. O fato da Argentina ter vencido essa Copa foi bem mais representativo e expressivo que se a frança tivesse levado. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Minhas citações preferidas de John Lennon

1. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.
2. É uma falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.
3. Deus é um conceito pelo qual medimos o nosso sofrimento.
4. O trabalho não justifica a existência. A gente trabalha para existir e vice-versa.
5. vida é aquilo que acontece enquanto você está fazendo outros planos.
6. Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.
7. Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.
8. Não se drogue por não ser capaz de suportar sua própria dor. Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo.
9. A ignorância é uma espécie de bênção. Se você não sabe, não existe dor.
10. As pessoas acham que o amor verdadeiro não existe, porque elas passaram a não acreditar nele, por isso ele foi desaparecendo, ele é como uma pedra preciosa, é raro você encontrar, mas não quer dizer que não exista.
11. A arte é a expressão da mente, nossa vida é nossa arte.
13. Se o homem buscasse conhecer-se a si mesmo primeiramente, metade dos problemas do mundo estariam resolvidos
14. Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo.
15. O mundo é como uma festa em que entramos sem sermos convidados, e depois, saímos sem nos despedirmos.
16. O sonho acabou, vamos encarar a realidade.
17. Eu acredito em tudo até que seja refutado. Eu acredito em fadas, em mitos, em dragões. Tudo isso existe, mesmo que só em nossas mentes. Quem poderia dizer que sonhos e pesadelos não são tão verdadeiros quanto a vida real?
18. A canção Imagine, que diz, 'Imagine que não há mais religião, não há mais países, não há mais política...' é virtualmente o Manifesto Comunista, embora eu não seja particularmente comunista nem pertença a nenhum movimento.
É uma canção antirreligiosa, anti-convencional, anti-capitalista, mas, porque ela é suave, é aceita.
19. Uma coisa voce não pode esconder
É quando voce está aleijado por dentro.
20. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Uma Lenda que nenhum vento pode apagar: John Lennon. 42 anos de uma lenda que permanece viva e latente!

Nova York, 8 de dezembro de 1980. Eram exatamente às 22h50, em frente ao Edifício Dakota, onde localizava-se o apartamento de John Lennon e Yoko Ono. O assassino Mark Chapman saca a arma e dispara quatro tiros mortais que ceifam a existência de uma das maiores lendas do Rock, Lennon tinha 40 anos. Enquanto aguardava pela polícia, Mark lia a obra "O apanhador no campo de centeio", de J.D Salinger.
O que Mark não sabia sobre aquela noite de 8 de dezembro de 1980, é que não mataria John Lennon. Definitivamente, John permanece vivíssimo e atualíssimo, suas letras continuam a tocar e embargar a todos nós. Ao contrário do seu algoz que acreditava que seria grande, imortal e inesquecível por ser o "assassino de Jonh Lenon". Pobre diabo! Este está até hoje na lata de lixo da história. Tal fato seria comprovado pela sua declaração dada durante uma audiência no ano de 2010: "Senti que matando John Lennon me tornaria alguém e em vez disso tornei-me um assassino, e os assassinos não são alguém". E acrescento: os assassinos, fanáticos e idólatras não são e jamais serão alguém.

Volodimir Zelensky é eleito Personalidade do Ano pela Revista Time


Volodimir Zelensky, o corajoso, resistente e leal presidente da Ucrânia, foi eleito Personalidade do Ano pela Revista Time numa edição que ostenta a capa do "espírito do povo ucraniano", emblemática e  carregada de simbolismo da coragem e bravura dos ucranianos inspirados pelo seu líder. Zelensky inspira esperança em tempos de guerra. 

domingo, 27 de novembro de 2022

A leitura, instrumento de cultura e evolução


 A leitura é o instrumento profundo, essencial para a formação de nossa consciência crítica e de visão de mundo. Fundamental ao nosso desenvolvimento e progresso da civilização humana.  Leia mais para ser mais mais! Revolucione-se culturalmente.

No auge das grandes civilizações as bibliotecas eram locais de consumo de conhecimento e aperfeiçoamento moral. 

 Bom Domingo, Leo.
 Até! 

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

8 bilhões ao redor do globo - Refletir para construir

Capa da revista National Geographic em 2011, quando o mundo atingiu a marca de 7 bilhões de habitantes ao redor do globo. 12 anos depois o mundo bateria a marca de 8 bilhões.

  Doze anos depois da publicação da revista National Geographic sobre os 7 bilhões de habitantes ao redor do globo, o planeta Terra completa a marca de 8 bilhões de habitantes. Enfrentamos uma era de desafios no nosso século e nas relações ecológicas, humanas, sociais. Nossa existência está atrelada ao modo como iremos interagir com a natureza e sua biodiversidade que extinguimos a cada cada ano. Somos uma espécie inteligente, perspicaz, capaz das maiores realizações impensáveis em outros tempos, por outros povos e civilizações que aqui viveram e construíram seus impérios, já ruidos e documentados nas páginas da História. 
  No histórico 20 Julho de 1969 o astronauta Neil Armstrong pisava em solo lunar, imprimindo no nosso satélite natual as pegadas do primeiro humano que ali pisou, semelhante a uma criança artreira, aventureira que descobre o cosmos, fincou ali a bandeira americana e pronunciou a lendária frase: "um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para a Humanidade." Em 2022, 53 anos depois da Apollo 11, lançamos outras sondas rumo ao espaço e a missão Artemis I levará novamente o homem, em 2024, cerca de 55 depois deste ter ingressado na aventura espacial a revisitar o astro luminoso que nos encanta nos períodos noturnos. Estima-se que em 2050 a colônia lunar já esteja em condições de abrigar seres humanos. Já imaginou passar as férias num hotel lunar com vista para a Terra? Somos capazes das mais incríveis realizações e feitos como estes e muitos outros que irão suceder-se ainda neste século das maravilhas e desafios a sobrevivência do Hommo Sapiens sobre o planeta azul. A odisséia do homem e seus brinquedinhos espaciais e tecnológicos está muito longe de terminar. 
  
  Da chegada do homem à Lua em 20 de Julho de 1969 a Artemis I. De 7 bilhões de habitantes em 2011 a 8 bilhões em 2022, verdadeiramente um gigantesco salto para a Humanidade. Para onde estamos indo? Futuro? Outros planetas? Extinção? Nova Terra? Essas respostas somente o tempo e nossas atitudes que movem o tempo nos dirão. 

  Diante de todos estes fatos extraordinários, científicos, digitais e expansionistas nas variadas áreas acadêmicas, tecnológicas, eletrônicas e digitais; cabe-nos estacionar nem que seja por alguns momentos, míseros segundos do nosso disputado tempo para meditarmos acerca de nosso papel em relação a responsabilidade coletiva para com as matérias-primas não renováveis da Terra, os biomas desgastados e literalmente destruídos em prol da nossa ganância e sede de crescimento, poder. O desenvolvimento deve caminhar de mãos dadas com a sustentabilidade e senso ético, humanitário para com a nossa querida Mãe-Terra. É preciso refletir para construir. Que possamos meditar sobre mudanças de atitude e postura, que estes 8 bilhões não seja apenas mais um número entre tantos outros que irão aumentar nas estatísticas mundiais, mas a possiblidade de refletirmos nossas escolhas e ações para com o planeta, os seres vivos e o uso de nosso recursos que estão se esgotando a cada ano.
  Em 2050 haverá mais plástico, lixo, do que peixes e vida marinha nos oceanos, as ilhas de lixo e os vazamentos de petróleo alastram-se ao passar dos tempos, as queimadas tem prejudicado a Amazônia imensamento sem citar o Pantanl, este vislumbre para os olhos e espetáculo de cores. A indústria têxtil, alimentícia e petroquímica são as responsáveis pelos grandiosos estragos causados em todos os setores da flora e fauna. Todos sabemos e temos ciência da situação caótica a que chegamos em nome de poder, capital, destaque, posição...Lemos o jornal, as matérias que apenas se acumulam e esgotam-se com a fluidez dos acontecimentos líquidos e sem importância. Será tudo apenas dados, números, estatísticas e nada mais? Nos acomodamos a somente sentar em frente a TV e a tela de nossos smatphones e a assistir, diariamente a tragádia e o fracasso da espécie humana, sua irresponsabilidade com o meio natural e o seu vergonhoso ego político que sacrifica a vida de tantos e tantos inocentes, indefesos e expostos ao relento a mercê das decisões dos papéis e canetas dos Congressos, Organizações e Governos, igualmente todos incapazes de sanar as suas dores, angústias e privações humanitárias? Enquanto os grandes deliciam-se com os seus saborosos peitos de frango e fartos leitões, padecem os degradados e desbundados nas ruas de fome, medo, violência, vitimados por uma guerra que não os pertence. A COP27, como era de se esperar não chegou a acordos lá muito vantajosos e definidos e nem mesmo pretendem tomar atitudes que possam impactar o futuro de todos nós para melhor, porque quando eles querem eles tomam e rapidinho, num estalar de dedos, numa rapidez tremenda como um clique digital.
  
8 bilhões de habitantes ao redor do globo. Para onde estamos indo? Quais são os impactos das nossas ações sobre a vida no planeta e o futuro da nossa espécie?

  O Futuro da Terra está em nossas mãos. Sim, eu sei. Parece balela afirmar isso a essa altura do campeonato! Os nossos governos detêm em suas estruturas poderes mais vantojosos de tomadas de decisões cruciais e elementares para tal. Contudo pequenas ações cotidianas podem ser tomadas para contribuir com melhores condições de vida para todos e você sabe muito bem quais são, afinal passamos praticamente a vida inteira, desde o jardim da infância, ouvindo que devemos preservar o planeta. É preciso refletir para construir. 
 
  Desejo que a marca de 8 bilhões de habitantes que batemos no último dia 15 de Novembro nos sirva de reflexão para onde estamos caminhando na rota dos acontecimentos deste tempo sombrio, tenebroso e cheio de mudanças e velhos preceitos que ainda persistem. 


            Beijos, até a próxima!


Acesse o acervo completo da revista National Geographic:
  

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Adolpho Bloch, o dono da Manchete



Hoje terminei de editar uma postagem sobre um russo com alma de brasileiro. Ele está meio esquecido atualmente, também já foi-se a era dos bons editores de revistas e jornais. Então só nos resta a saudade. Sou um grande admirador de Bloch e sua história. Espero que gostem do conteúdo e que assim como eu, se tornem fãns desse grande brasileiro. Até a próxima!

Adolpho Bloch construiu o o monumento em homenagem ao amigo Juscelino Kubitcheck, em Brasília

Adolpho Bloch, foi um gráfico, editor e empresário ucraniano naturalizado brasileiro. Só que mais que isto, "seu Adolfo", como era carinhosamente chamado, foi um pai extremoso para todos aqueles que dele necessitaram e que de algum modo recorreram ao seu auxílio para sobreviver a tantos períodos difíceis da história de nosso país, um deles inclusive foi a terrível ditadura militar, que assolou o país durante cerca de 25 anos, de 1964 a 1985. Acerca desta sombria página de nossa história democrática, o escritor Carlos Heitor Cony ressaltou o humanismo de Adolfo Bloch para com todos os reprimidos da ditadura, no texto Adolpho Bloch e a Repressão:
"Agora, quando MANCHETE celebra 45 anos de permanência semanal no mercado, gostaria de lembrar Adolpho Bloch e sua capacidade de ser grande em todos os momentos. Nascido na Rússia e naturalizado brasileiro, ele correu sério risco de ter cassada sua cidadania pelo regime militar. Motivo da ameaça: sua fidelidade a Juscelino Kubitschek, já em momento algum deixou de contar com o seu apoio. 
(...) A relação entre JK e Adolpho já faz parte da nossa história. Contudo, continua ignorado o seu desempenho como empresário da imprensa nos anos mais duros da repressão, quando dezenas de jornalistas ficaram impedidos de exercer a profissão. 
 Outros jornais e revistas, discretamente, também absorveram alguns dos malditos, mas não aqueles que, segundo as autoridades da época, "tinham contas a ajustar com tribunais e cadeias". Foram esses, justamente, que só encontraram o abrigo em Adolpho Bloch. Ele só se preocupava em saber se o elemento em causa era de fato um bom profissional. Daí em diante comprava a briga, adotava o excluído como uma espécie de filho. Nao se limitava a dar emprego. Dava o carinho, que em alguns casos se estendia à família do perseguido." (Publicado em edição especial Manchete 45 anos, 1997, pag. 254.) Cony, traçou perfeitamente a  personalidade carismática de Adolfo para com todos os perseguidos por aquele regime totalitário e terrível.

                    De Kiev ao Rio
  Adolpho Bloch, uma biografia de sucesso 

Adolpho Bloch no cenário do jornalismo da Rede Manchete, no início dos anos 80.

Adolpho Bloch nasceu em Jitomir, pequena cidade da Rússia banhada por seis rios, à época então com 100 mil habitantes. Era uma bonita cidadezinha com florestas e muitos campos  de trigo em volta. Era o ano de 1908. 
 Durante a Revolução Russa de 1917, a família Bloch, então composta por 17 pessoas, começou a enfrentar dificuldades, privações e o horrendo fantasma que persegue os pobres, indefesos e ofendidos: a fome. Tais dificuldades vinha do fato da família Bloch ser de estirpe judaica. Adolpho Bloch migrou com sua família para Kiev. No ano de 1921, a família Bloch não suportando mais perseguições e dificuldades, decidiram partir em busca de melhores condições de vida, embarcaram então no Navio D'italia em 1921, aportaram no Rio de Janeiro, apenas no ano de 1922. Passaram 9 meses no porto de Nápoles, Itália. 1922 foi um ano simbólico, singular para o Brasil, dois eventos importante marcaram o ano: a Semana de Arte Moderna e o Centenário da Independência. 


  
    Rio de janeiro, em 1922.

O Pilão 

   Biografia de Adolpho Bloch - volume 2

    O pilão, biografia de Adolpho Bloch.

Os Bloch chegaram ao Rio de Janeiro de 1922 trazendo apenas um pilão espremedor de especiarias. Isso explica o título de sua biografia lançada na década de 1980, intitulada O pilão. Entretanto não pretendiam fixar moradia no Brasil, Adolpho relata em Manchete 45 anos: "(...) Juntávamos dinheiro para comprar as passagens que nos levassem aos Estados Unidos. Mas a alegria de viver no Brasil foi tomando conta de nós. Um dia, o dinheiro reservado para as passagens serviu para comprar o nosso primeiro Ford Bigode do Mestre-Blatgé. E assim podíamos participar das batalhas de confete e, durante o carnaval, do corso da cidade, que ia da Avenida até o Mourisco, no final de Botafogo." A família Bloch passou a investir no ramo com o qual já trabalhavam na Rússia antes de virem ao Brasil, o ramo gráfico. Em 1923 compraram uma simplória impressora manual para imprimirem o jogo do bicho. Aquelas seriam as primeiras experiências tipográficas do menino Adolpho.
 
O boêmio carioca 
Em 1940, o jovem Adolpho Bloch era um frequentador da vida boêmio do Rio de Janeiro daquela época, amante dos carnavais e da boemia carioca, trabalhava na Rio Gráfica do Doutor Roberto Marinho. Frequentava o Grêmio Recreativo Kananga do Japão, que mais tarde em 1989 o inspiraria a criar a sinopse da novela Kananga do Japão ao lado de Carlos Heitor Cony. Personalidades políticas e sociais adoravam a companhia de Adolpho. Foi nessa época que cultivou suas melhores amizades e que levaria para o resto de sua vida.

    Adolpho Bloch, nos anos 30.

A primeira rotativa off-set, o prédio da Frei Caneca, o início da construção de um império
 
Mais tarde, viria a escrever sobre as primeiras impressões no Rio e o início da vida de gráfico, editor e empresário: 
"A nossa gráfica teve vários endereços: Mem de Sá, 285 (lá eu conheci a Irmã Paula); Constituição, 38 e, depois, Visconde da Gávea, 26. Foi nesse endereço que compramos a primeira off-set e iniciamos a construção do prédio da Rua Frei Caneca, 511. Estávamos às vésperas da Segunda Guerra Mundial. 
 No dia 1 de Setembro de 1939, quando li no Correio da Manhã que os tanques da Alemanha haviam invadido a Polônia para ocupar o porto de Dantzig, e que os poloneses estavam reagindo com a cavalaria, disse para mim mesmo: "Já vi esse filme, em 1920, nas ruas de Kiev."
 E foi naquele ano que inauguramos a nossa primeira sede própria, na Rua Frei Caneca, um prédio moderno que até hoje está funcionando. Nos fundos, junto ao morro de São Carlos, tiramos 50 mil metros cúbicos de terra e ali erguemos um edifício de seis andares. E lá ficamos até 1968, quando nos mudamos para o Russel, 809. 
 Ao mesmo tempo, compramos os terrenos em Parada de Lucas, boa parte deles do editor José Olympio. Custaram 2 milhões de cruzeiros em vinte promissórias de 100 contos cada uma. José Olympio é um cavalheiro. Deu-nos a oportunidade de comprar outros terrenos ao lado e neles construímos o nosso Parque Gráfico, um dos maiores da América Latina. 

O Parque Gráfico de Parada de Lucas, um dos maiores da América Latina


   Logotipo da Bloch Editores 


Adolpho Bloch e a primeira máquina gráfica de Bloch Editores.

   "Aqui se imprime Manchete"
   



"Aqui se imprime Manchete". Parada de Lucas, um dos maiores e mais modernos Parques Gráficos da América Latina. Um colosso da mídia impressa. 
Edifício Manchete, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, muito amigo de Adolpho Blocho. Da Frei Caneca para o Russel 809, Bloch Editores deu um salto extraordinário.


1952: nasce a revista Manchete, que desbancaria o Cruzeiro

Adolpho Bloch com a primeira edição da revista Manchete – 1952

No livro Aos troncos e Barrancos/ Como o Brasil Deu no que Deu, Darcy Ribeiro registra, no ano de 1952: 
"Adolpho Bloch lança Manchete, que deslumbra o público. Queria é desbancar O Cruzeiro com um jornalismo fotográfico colorido, moderno, dinâmico e ousado. Desbanca."
  A revista Manchete foi por muitos anos uma referência no mercado editorial brasileiro e também internacional. Sobre a criação da revista, Adolpho relata:
"Nesse tempo, a nossa rotativa trabalhava a semana toda imprimindo revistas infantis para a  Brasil-América, do Adolfo Aizen, e para a Rio Gráfica, do Dr. Roberto Marinho. Eu tinha três dias de folga nas máquinas: sábado, Domingo e Segunda-feira. Sempre sonhara ter uma revista semanal que não dependesse das encomendas. Os acontecimentos eram históricos e eu queria participar deles. O mercado de revistas, no Brasil, era dominado pelo O Cruzeiros, dos Diários Associados. Fui visitar a nova sede construída pelo Dr. Assis Chateaubriand, na Rua do Livramento. E verifiquei que a rotativa estava num andar e o setor dos cilindros em outro. Não compreendi aquela disposição e percebi que, com inovações técnicas e editorias, poderia conquistar o mercado.(...) Em 1951, numa reunião da qual fazia parte o meu primo Pedro Bloch, imaginava uma revista do tipo da Paris-Match, daí surgiu o título MANCHETE. Comprei novas máquinas e instalei a redação na sede da Rua Frei Caneca. 
 (...) Naquele mesmo ano inaugurou-se a TV Tupi. A Rádio Nacional ainda era o principal veículo de comunicação do país. Foi nesse quadro que a Manchete surgiu em Abril de 1952. No início dos anos 50 foram lançadas grandes revistas em todo o mundo e eu as acompanhava de perto. Costumava dizer que o princípio da felicidade consiste em trabalhar naquilo que se gosta - e eu gostava de trabalhar no meu ramo. O primeiro número da revista não me agradou e comecei a lutar pelo seu melhoramento - e essa luta não parou até hoje. 

23 de Abril de 1952 - Primeiro número da Revista Manchete


Manchete número  1, saiu em 23 de Abril de 1952, um dia de meia-estação, a temperatura oscilando entre 28 e 22 graus, tempo nublado, passando a estável. Em São Paulo chovia. A capa era a bailarina do Teatro Municiapal Inês Litowski, posando ao lado de  uma carruagem. Naquela quarta-feira, era dia de São Jorge, o Santo guerreiro. 

O nome da Manchete - Pedro Bloch

"(...) Tudo isso como intróito de como surgiu o título da revista Manchete. 
Um dia, Adolpho Bloch, meu primo, me aparece em casa e, com enorme emoção, diz: - Eu quero fazer uma revista. 
    Pensou que eu ia ficar espantado, mas achei naturalíssimo que um homem, com sua visão que tinha, na época, atualizado a sua empresa em artes gráficas, quisesse criar uma revista. E continuou:
- Você pode dirigir.
- Não, meu caro. Eu não entendo nada de como se faz uma revista. Posso escrever artigos. Para a direção ficaram muitos joranalistas de valor.
  De fato. Os nomes que vieram a dirigir a revista eram de profissionais do maior grabrito. Adolpho, sempre, queria tudo do melhor. 
 Mas antes disso, numa de minhas passagens pela gráfica antiga, da Frei Caneca, ele me leva à sua mesa e diz: 
-  Olhe. Estamos quebrando a cabeça para encontrar um nome para a revista. Você tem alguma sugestão? 
- A revista vai ser de reportagens, não é?
- Sim. 
- Reportagens nacionais e internacionais.
- De que tipo?
- Tipo Match.
Pusemos no papel o nome Match.
 E como quem resolve um problema de combinação de letras, me saí, na hora:
- Só pode ser MANCHETE. 
Adolpho pula com entusiasmo: - Isso! Não se discute mais! Vai ser MANCHETE, que diz tudo." 

"Comecei a compreender um pouco do jornalismo quando do suicídio de Getúlio Vargas"

"Só comecei a compreender um pouco de jornalismo quando do suicídio de Getúlio Vargas em 1954. A capa já estava impressa, era do brigadeiro Eduardo Gomes, tradicional adversário do presidente. Na manhã de 24 de Agosto, numa terça-feira quando Lourival Fernandes me telefonou, dando a notícia do suicídio, eu tive de imprimir nova capa com o presidente Vargas.  À tarde a edição foi para as ruas e à noite já estava esgotada. No ano seguinte, outra lição: Carmen Miranda morrera nos Estados Unidos, veio ser sepultada no Brasil. O enterro foi num sábado, com grande acompanhamento e emoção popular. Não podia haver dúvida: a capa da semana seria ela. Aconteceu, que, no domingo à tarde, a boate Vogue pegou fogo. Dois homens, em desespero, atiraram-se do prédio onde funcionava a boate. A tragédia abalou o Rio. Tive de mudar a capa, trocando o enterro de Carmen Miranda pelo incêndio do Vogue. A edição  se esgotou no mesmo dia. 


Capa da revista sobre o suicídio de Getúlio de Vargas. 24 de Agosto de 1954.

Adolpho Bloch e sua amizade com Juscelino Kubitschek, lealdade para a vida inteira

" Depois da morte de Vargas vieram as crises políticas de 1955. Havia muito assunto em todos os setores e as vendas aumentavam a cada semana. O ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, foi eleito presidente da República. Eu tinha muita simpatia por ele, mas não o conhecia muito bem. Era um homem que costumava realizar aquilo que prometia. E durante sua campanha eleitoral ele garantiu que cumpriria suas 30 metas de Governo. Num de seus comícios, em Jataí, um popular perguntou-lhe se, eleito, o candidato cumpriria integralmente a constituição. O cidadão então perguntou se Juscelino cumpriria o dispositivo da Constituição que previa a mudança da capital da República para o Planalto Central. Juscelino já havia elaborado seu programa de metas e não pensara no assunto. Mesmo assim, sem vacilar, garantiu que, se eleito, transferiria a capital da República para o Planalto Central. 
(...) A partir desse instante, Brasilía transformou-se em sua Meta-síntese. 
Eu estava com um problema, pois havia prometido ao Embaixador Negrão de Lima, chefe da campanha eleitoral de JK, que, eleito o presidente, eu daria 20 mil cartazes enormes com slogan 50 anos em 5. Eu havia tirado esse slogan de um discurso de Jk, feito numa pequenina cidade do interior. Jornais, revistas e televisão criticavam o famoso slogan. Eu desejava me explicar ao presidente que a responsabilidade dos cartazes era minha. 
Fui procurá-lo no Catete. Encontrei-o na cozinha, comendo de uma marmita que viera do Palácio  Laranjeiras com o seu almoço. Ele ficou feliz ao me ver. Perguntou pela minha saúde. Disse-lhe: "Presidente, esta campanha diária contra o senhor, feita pela imprensa, rádio e televisão, está sendo causada pela minha confiança no seu governo. Fui eu quem mandei imprimir e colocar cartazes em todas as principais cidades brasileiras. "JK deu uma gargalhada e respondeu: "Então, Bloch, você acha que nós vamos fazer o Brasil vaminhar 50 anos em apenas 5 anos?"
Eu acompanhei o sorriso dele e a partir daquele dia ficamos amigos inseparáveis. 




                
Adopho Bloch caminha em Copacabana com o amigo JK







"MANCHETE E BRASÍLIA CRESCERAM JUNTAS"  

(...) Em 1958, acompanhado do nosso diretor Dirceu do Nascimento, fui procurar o Coronel Affonso Heliodoro, que me fez a entrega de numerosas fotografias da construção da cidade. Com elas, editei um número especial de MANCHETE, que esgotou 200 mil exemplares em apenas 24 horas. 
 A televisão ainda engatinhava e eu pensava:"Quantas pessoas estão sabendo o que se passa no coração do Brasil? 50, 100, 150, e o restante dos 70 milhões de habitantes?" (Esta era a nossa população na época.) Foi assim que Brasília e Manchete cresceram juntas. 









(...) Durante a construção da cidade fiz questão de inaugurar o primeiro escritório jornalístico da nova capital. Quando o lago artificial encheu, eu mandei o Murilo Melo Filho, que era o nosso diretor local, uma lancha com o bilhete:"Não faça economia. Por falta de relações públicos, os judeus perderam Jesus Cristo. E um homem desses não se perde. 
 O Presidente me pediu que não faltasse à inauguração de Brasília. Foi a festa mais bonita que já assisti. A meu lado, o teatrólogo Joracy Camargo vibrava. Também a meu lado, o ator Silveira Sampaio criticava pequenos detalhes das cerimônias. Eu sentia o coração inundado de alegria. Foi naquela festa que pela primeira vez vesti casaca. O Presidente, quando me viu no Alvorada, veio em minha direção, dizendo:"Bloch, você não podia faltar a esta festa!" Trazendo o material da reportagem para a redação, o meu editor Justino Martins examinou com o seu olho todas as fotos e me observou:"Tchê, você não podia estar usando esse sapato com furinhos no couro, ele não combina com a casaca. 


       
                      ACONTECEU, VIROU MANCHETE 
A revista Manchete acompanhou os principais fatos nacionais e internacionais. Desde a construção de Brasília a chegada do homem a Lua em 21 de Julho de 1969. MANCHETE era uma revista reconhecida pela qualidade gráfica e editorial,  principais marcas de seu dono. 
  Edição histórica de 40 anos, um fenômeno editorial brasileiro.
Manchete possuía projeção internacional, capa da edição em língua inglesa: Brazil - in the 80's.
    Capa da edição da posse do Marechal    Castelo Branco, eleito pelo governo militar.
Capa da edição dos 150 anos da Independência do Brasil.

 Edição comemorativa dos 30 anos da revista.
  Edição comemorativa dos 35 anos da       revista.
 Edição Histórica da conquista do homem a Lua, 21 de Julho de 1969.
   Edição Histórica da inauguração de       Brasília.
   Edição histórica dos 2000 exemplares   publicados. Um fenômeno editorial.

Adolpho Bloch foi internado no hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para tratar de problemas cardiovasculares: embolia pulmonar e disfunção da prótese da válvula mitral do coração. 
Na madrugada do dia 18 para o dia 19, ele precisou ser operado, entretanto não resistiu a cirurgia e veio a falecer no dia seguinte: 19 de Novembro de 1995 aos 87 anos, não teve filhos. Deixou a esposa Ana Bentes Bloch, com quem vivia desde 1980. As Empresas Bloch passaram ao controle de seu sobrinho, Pedro Jack Kapeller que de tudo fez para salvá-la da falência, infelizmente o entusiasmo de jaquito com a televisão deu no que deu: a Rede Manchete de Televisão, fechou as portas em 1998 e a sua crise culminou com a falência do Conglomerado Bloch no ano 2000. Em 1998 foi inaugurada a Escola Técnica Adolpho Blochcom, localizado no Bairro do Maracanã, Rio de Janeiro. A Escola Técnica Estadual Bloch é a única escola pública de Comunicação da América Latina. 
(Fonte: Wikipedia Livre)

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Revista Mensal de Cultura - Enciclopédias Bloch
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   Coleção História do Brasil, editada pelo     próprio punho de Adolpho.
    Grande História Universal.
Dicionário Ilustrado da Língua portuguesa, uma homenagem de Bloch a Língua portuguesa e ao Brasil, sua eterna paixão.

Enciclopédias - O fenômeno das pesquisas
Revista Semanal de Cultura, um caldo semanal de conhecimento

    Enciclopédias Bloch encadernadas.
Com riquíssimas fotografias e textos interativos, fotojornalismo dinânimo e ousado foram a marca das Enciclopédias Bloch, maravilhas de encher os olhos. 
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 Vídeo sobre os 75 anos do Grupo Bloch, o entrevistado; o próprio Adolpho. 


Dois lemas acompanharam sua ilustre e próspera vida profissional:









Edição da Manchete de 19 de Novembro de 1995 sobre a morte de Adolpho Bloch.

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