Nélida Pinon (1937-2022) faleceu hoje em Lisboa. Não haveria lugar mais místico, mítico, histórico, literário e digno de honrar a morte da maior escritora viva da Língua Portuguesa. Lisboa, ancestral e magnífica, terra de Fernando Pessoa que sendo um bom cavalheiro, há de recebê-la no céu com a generosidade, fervor e sensibilidade que só os poetas possuem, posto que Nélida faleceu na terra do grande poeta multifacetado. Nélida presidiu a Academia Brasileira de Letras (ABL) durante os anos de 1996 e 1997. Em 1996 a ABL fazia seu Centenário I e a escritora prodígia estava à sua frente que simbólico aquele ano e também o centenário da própria instituição! O que diriam os Imortais que cem anos antes haviam fundado a Academia, de uma mulher que presidiria a mesma cem anos mais tarde? Certamente os mesmos a uma hora dessas devem estar junto dela a comemorar a sua genialidade e admirável carreira literária. Era descendente de galegos, nasceu no Rio e publicou mais de 23 livros que foram editados em mais de 60 países. Foi a primeira mulher a receber o Honoris Causa, da Universidade de Santiago de Compostela (1998), também venceu com o Romance A República dos Sonhos o Troféu da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) (1985) e o prêmio Jabuti com o Romance Vozes do Deserto (2005). Depois da morte de Lygia Fagundes Teles aos 98 anos, encerra-se o ciclo de 2022 com duas perdas insubstituíveis no panorama literário feminino do nosso país. Lacunas insuperáveis, legados eternos.
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