quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Um brasileiro eternamente carioca

Um brasileiro eternamente carioca

Há 42 anos, o Brasil perdia seu anjo pornográfico. Nelson Falcão Rodrigues, Nelson Rodrigues, o Shakespeare brasileiro. Nelson está a altura de Machado, Proust, Camus, Guimarães. Melhor dizendo: é o Machado dos tempos modernos. Nelson trabalhou como colunista em jornais brasileiros importantes da época, mas foi no jornal O Globo de Roberto Marinho e como cronista esportivo que se destacou e mereceu honras. Foi nas colunas do jornal O Globo que nasceu a série de crônicas A vida como ela É. Recomendo a leitura de seu livro A pátria das chuteiras. Nelson modernizou o teatro brasileiro com a peça Vestido de Noiva, montada pelo diretor polonês Ziembisky e desde então ocupa o título de maior dramaturgo da nossa história. Fora os seus clássicos, Vestido de Noiva, bonitinha, mas ordinária, toda nudez será castigada, Doroteia, Sete gatinhos, o Nelson Rodrigues cronista e romancista ainda não mereceu por parte da crítica o devido reconhecimento enquanto romancista e cronista de mão cheia. Também recomendo a leitura do seu romance O Casamento. Irônico, irreverente, sarcástico e além do seu tempo, Nelson ficará erigido na literatura brasileira como uma muralha intransponível, imortal, atemporal, e claro não poderia faltar, imoral, católico e um grande brasileiro eternamente carioca. Viva Nelson Rodrigues!

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